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Alexitimia

Alexitimia é uma palavra de origem grega (a-falta de, sem; lexis-palavra; thymus-emoção ou ânimo), utilizada pela primeira vez por Sifneos, em 1967. A alexitimia designa a falta de palavras para descrever as emoções. Afetivamente conduz a uma grande dificuldade em reconhecer, descrever e discriminar sentimentos e emoções. Cognitivamente, há um estilo de pensamento muito particular, virado para o concreto e para o exterior e relacionalmente, há relações úteis, pragmáticas e superficiais. Existe uma incapacidade em perceber o outro com uma individualidade própria, os seus sentimentos, havendo portanto uma reduzida empatia e compreensão.

Teorias explicativas da alexitimia

Modelos Psicodinâmicos
Nas teorias psicodinâmicas, a alexitimia é vista essencialmente sob duas perspectivas: como mecanismo de defesa ou como um défice na organização psíquica.
Na primeira perspectiva, o funcionamento alexitimico faria regredir o sujeito até um estado muito primitivo.
Na segunda perspectiva de défice psíquico, as estruturas psíquicas mais precoces não teriam sido bem organizadas, devido a problemas de vinculação entre a mãe e o seu bebé. As mães tenderiam a usar os seus bebés para resolver os seus próprios problemas, não tolerando a separação e a independência dos seus filhos. Seriam excessivamente protetoras, não deixariam a criança desenvolver estratégias pessoais de resolução das suas tensões, o que resultaria numa incapacidade em cuidar de si e em reconhecer as próprias sensações corporais.

Modelos Neurofisiológicos
Neurofisiologicamente, a emoção seria a parte neurobiológica do afecto, resultando da estimulação da amígdala, situada no sistema límbico. A amígdala estaria ligada ao hipocampo, implicado no funcionamento da memória e no relembrar de boas ou más sensações e ao neocórtex, por circuitos corticotalâmicos. A combinação de tudo isto produziria um sentimento. Esta junção de imagens, imaginação e pensamentos às emoções vindas do sistema límbico é manifestada através da linguagem.
Os sujeitos que não conseguem fazer a ligação entre a imagem mental, a fantasia e o pensamento com as suas emoções, não conseguirão que os sentimentos se revelem pela linguagem. A alexitimia seria o resultado de uma perturbação no hemisfério direito do cérebro (por ser este o hemisfério responsável no reconhecimento dos afectos), com uma resposta emocional mais fraca e uma maior indiferenciação emocional.

Modelos Sócio-Culturais
Também se percebeu que pessoas provenientes de um baixo estatuto socioeconómico, com menos instrução, crescimento num ambiente que não encorajasse o desenvolvimento da simbolização nem da comunicação, pais e familiares com traços alexitimicos e famílias emocionalmente disfuncionais têm mais casos de alexitimia entre os seus membros.

Englobando a Alexitimia num Modelo Geral
Compreendendo este fenómeno globalmente, a família terá uma importância fulcral no desenvolvimento deste tipo de funcionamento. Uma família que já tenha os seus próprios problemas em lidar com as emoções, dificilmente poderá ensinar um novo membro que a integre, neste caso, um bebé, a lidar com as suas próprias emoções, a conhecê-las, a controlá-las, a autorregular-se. Daí que relações precoces emocionalmente inadequadas são o veículo perfeito para o desenvolvimento de uma posterior alexitimia. Aqui, será preciso mencionar um ponto importante a nível fisiológico: o facto de não haver estimulação emocional leva a ausência de conexões cerebrais, alterações químicas, que afetam o comportamento, tornando-se mais um fator que poderá tornar um sujeito alexitímico.

Haverá portanto uma perturbação na regulação das emoções, desde as mais primárias até às mais secundárias, que criarão défices a vários níveis: em termos de vocabulário afectivo (que fica empobrecido, não se sabendo nomear o afeto que se sente numa determinada altura e num determinado contexto), de experiências afetivas precoces (que se tornam relações sem profundidade emocional e pouco gratificantes), de processo fantasmático (sem a correta elaboração psíquica dos conflitos, das fantasias e sua posterior resolução) e de processos cognitivos (que se tornam demasiado rígidos, demasiado presos ao real, de modo a não fazerem a integração afetiva do que é vivido).

Portanto, um sujeito alexitimico será sempre um sujeito em défice.
Como resultado, há um isolamento afectivo e emocional, não se conhecem as emoções, não se sabe a melhor forma de lidar com elas, quais são adequadas, quais são desadequadas, quais podem ser próprias de uma situação em particular e como tal, as emoções são temidas, são perturbadoras, sendo necessário afastá-las a todo o custo.
Este esforço violento e continuado ao longo de toda a vida da pessoa poderá levar a uma exacerbação das respostas somáticas, o corpo revolta-se contra uma psique claramente insuficiente.
Contudo, esta perturbação não deve ser confundida com outras (como personalidade esquizóide ou psicopática), aconselhando-se cuidado com o diagnóstico diferencial e com possíveis comorbilidades (como autismo, perturbações de personalidade, abuso de substâncias).

Entender as causas e, muitas vezes, as consequências desta perturbação, também muito associada a doenças psicossomáticas, é muito importante na orientação da psicoterapia, com o objetivo último de aumentar o bem estar psicológico.

Dra. Tânia Godinho
Psicóloga do ITAD
Clínica de psicologia e terapia da fala em Lisboa
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