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Leitura e Escrita

A leitura é uma atividade complexa constituída por processos de nível psicológico podendo estes ser agrupados em dois níveis: a descodificação que permite o reconhecimento das palavras, traduzindo a letra impressa /escrita para a linguagem oral (correspondência grafema-fonema) e a compreensão que possibilita a assimilação de uma palavra, frase ou texto.
A escrita corresponde à codificação dos sons da linguagem oral em sinais escritos (correspondência fonema-grafema).

Pré-requisitos para a aquisição da leitura e escrita

Para que as crianças sejam competentes na aprendizagem da leitura e da escrita necessitam ter adquiridos determinados pré-requisitos:
1) desenvolvimento linguístico adequado (no que respeita à compreensão e expressão);
2) consciência fonológica;
3) capacidade de memória visual e auditiva (conseguir lembrar-se de itens que viu e ouviu);
4) capacidade de atenção;
5) coordenação visuomotora (capacidade de coordenar o movimento com o olhar, o que é necessário em tarefas como, por exemplo, a escrita).

A consciência fonológica diz respeito à noção (consciência) de que a língua falada pode ser segmentada em unidades distintas, ou seja, a frase pode ser segmentada em palavras, as palavras podem ser segmentadas em sílabas e as sílabas podem ser segmentadas em fonemas.
A consciência fonológica é um dos 4 aspetos que integram o processamento fonológico, sendo os restantes a discriminação fonológica (capacidade de diferenciar sons), a memória fonológica (capacidade de memorizar sons, sílabas e palavras) e a produção fonológica (utilização dos sons na fala).

Diagnóstico das perturbações da leitura e escrita
No que respeita ao diagnóstico das perturbações de leitura e escrita estas podem ser classificadas em:
– Dificuldade na aprendizagem da leitura e da escrita originada por Atraso de Desenvolvimento da Linguagem e/ou da consciência fonológica;

– Disgrafia – alteração da caligrafia e da coerência do material escrito;

– Disortografia – alteração das aptidões da escrita, sendo os textos desorganização e mal estruturados, as frases simples e pobres e verificando-se inúmeros erros ortográficos;

– Dislexia (uma das dificuldades mais frequentes) – manifesta-se na aprendizagem da leitura (aquisição do seu mecanismo) e na aprendizagem da escrita (a nível ortográfico) em crianças inteligentes, escolarizadas e sem alterações psíquicas e sensoriais. Contempla dificuldades de consciência fonológica, memória verbal e velocidade no processamento da informação. Consequentemente a esta perturbação podem existir dificuldades de compreensão de leitura, falta de vocabulário e conhecimentos reduzidos devido à ausência da leitura.
O grau de severidade da dislexia bem como as suas manifestações são variadas e alteram-se de acordo com a idade. Por exemplo, uma criança em idade escolar pode ter dificuldades sobretudo na ortografia e quando adolescente estas podem manifestar-se sobretudo numa leitura pouco fluente.
Supõe-se que em Portugal a percentagem de crianças com dislexia entre o 2º e 4º ano de escolaridade seja de 5,44% (aproximadamente igual em rapazes e raparigas). Dado existir uma incidência familiar, há estudos que defendem uma base hereditária (estudos apontam para que crianças que tenham um dos pais disléxico tenham entre 23% e 65% de possibilidades de também o ser, sendo a percentagem de irmãos com dislexia cerca de 40%).

Intervenção
As perturbações da leitura e escrita comprometem todo o processo de aprendizagem, impedindo assim o sucesso escolar da criança. São responsáveis frequentemente pela reduzida motivação, empenho e baixa autoestima e ainda por sentimentos de insegurança, vergonha e frustração. Desta forma, no que respeita à intervenção, existe frequentemente uma equipa multidisciplinar constituída por professores (titular, de apoio e do ensino especial), terapeuta da fala, psicólogo e os pais/ cuidadores das crianças.
A intervenção do terapeuta da fala centra-se sobretudo ao nível do desenvolvimento da consciência fonológica. Trabalhando para tal as segmentações frásica, silábica e fonémica, a identificação e nomeação de rimas bem como a correspondência fonema-grafema.

Conselhos para pais
– Proporcionar um ambiente familiar calmo;
– Realizar exercícios de memória, tais como declamar poemas, fazer teatro e cantar músicas;
– Efetuar jogos de linguagem (sopas de letras, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro, a pares, sozinho);
– Realizar divisão silábica e soletrar palavras;
– Trabalhar a autoestima;
– Incentivar a prática de exercício físico e atividades lúdicas, artísticas e culturais;
– Estimular o gosto pela leitura (exemplificar como segurar num livro, como o abrir, mostrar a direção do texto e as imagens, etc);
– Estimular o gosto pela escrita (pedir a colaboração da criança na escrita de postais e na listas de compras, oferecer-lhe um diário);
– Pedir a repetição do comando verbal antes da execução da tarefa.

Conselhos para professores
– Fasear por etapas cada tarefa;
– Facultar mais tempo na realização das tarefas;
– Certificar que existe compreensão da tarefa proposta antes da execução desta;
– Recorrer a mnemónicas a fim de facilitara interiorização de conteúdos;
– Utilizar estratégias variadas para que a criança memorize mais facilmente a matéria (exs.: tabelas esquemas, computador, etc).
– Escrever usando um caderno de duas linhas;
– Fixar a folha à mesa com fita-cola.

Dra. Alexandra Mestrinho
Terapeuta da Fala no ITAD
Clínica de psicologia e terapia da fala
Av. Almirante Reis nº59 1ºEsq 1150-011 Lisboa – Portugal
211 371 412 – 961 429 911