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Autismo

Quando a Inês de 9 anos, disse na consulta, a um dos nossos terapeutas, em relação ao seu irmão Pedro de 4 anos de idade “Eu acho que o meu irmão não gosta de mim”, o terapeuta respondeu “A culpa não é tua, ele gosta muito de ti. Mas o teu irmão tem Autismo e é difícil para ele falar e explicar-se às vezes, mas eu posso mostrar-te como brincares e jogares com ele”.

O que é o Autismo?

As pessoas costumam chamá-lo de Autismo (digamos: aw-tih-zum), mas o nome oficial é Perturbação do Espectro do Autismo. Porquê? Porque os médicos incluem-no num grupo de problemas que as crianças podem desenvolver, incluindo o Síndrome de Asperger e outros. Estas problemáticas aparecem quando o desenvolvimento da personalidade surge de forma diferente.

O autismo é uma perturbação do Neurodesenvolvimento de base biológica, considerando-se uma das patologias complexas mais hereditárias.

AUTISMO

Definição Conceptual
O conceito de Autismo tem sofrido várias alterações e não existe um consenso em relação ao mesmo. A primeira definição provém de 1943, de Leo Kanner. Posteriormente, Teorias Psicanalíticas nos anos 60, deram um contributo para o seu estudo, definindo-a como a “Perturbação das mães frigorífico”, identificando a sua causa na relação mãe-bebé, que carecia de vínculo emocional, não havendo um desenvolvimento emocional adequado nestas crianças. Nos anos 70 deu-se um período de desconstrução, possibilitado pelos critérios de diagnóstico da CID e do DSM, realizando-se diagnósticos diferenciais. O autismo passa a Perturbação Global do Desenvolvimento, suprimindo toda a associação ao conceito de psicose. Posteriormente as Teorias Genéticas, nos anos 80, identificaram várias doenças genéticas aliadas ao autismo, associando-o a anomalias cromossómicas e a síndromes raras.

Hoje, os estudos científicos mais fidedignos apontam o Autismo como uma Perturbação do Neurodesenvolvimento de base biológica, considerando-se uma das patologias complexas mais hereditárias. Sabe-se que é uma doença geneticamente determinada, com reduzida presença de factores ambientais na sua causa.

A criança com autismo apresenta dificuldades ao nível das interacções sociais, comunicação, apresentando comportamentos, interesses ou actividades repetitivas e estereotipadas. Está associado a várias patologias que podem agravar o quadro clínico: défice cognitivo, Síndrome X frágil, Perturbação de Hiperactividade com défice de atenção, Perturbações do sono e Perturbações alimentares.

Todos os dias o nosso cérebro interpreta os estímulos, como o que vemos, cheiramos, ouvimos, comemos, tocamos e experimentamos. Mas o cérebro de alguém que tem dificuldade em interpretar estas coisas, pode dificultar a pessoa a interagir, falar, ouvir, compreender, brincar e aprender.

Os sintomas do Autismo podem ser muito leves, graves ou, em algum lugar, no meio.
Uma criança com sintomas graves pode precisar de bastante ajuda para aprender e fazer coisas todos os dias e sentirem-se incomodadas por ruídos ou sons intensos.
As crianças com sintomas mais leves não se importam muito com barulhos e podem precisar apenas de um pouco de ajuda.

Crianças com Autismo muitas vezes não podem fazer conexões que as outras crianças fazem facilmente. Por exemplo, muitas crianças que têm distúrbios do espectro do Autismo têm dificuldade para entender o que as emoções parecem e o que a outra pessoa está a pensar. Podem agir de uma forma que parece incomum e pode ser difícil para os outros compreenderem por que reagem desta forma.

As dificuldades são enormes ao tentar entender o que os outros (pais, familiares, professores, colegas) lhe dizem, pois não sabem o que as suas palavras realmente significam e é ainda mais frustrante para uma criança quando não consegue comunicar com as palavras certas para expressar os seus próprios pensamentos, ou dizer a um pai o que ele ou ela precisa ou quer. Às vezes, isto pode levar a que a criança se mostre zangada e frustrada.

Segundo o DSM-IV, esta patologia manifesta-se antes dos 3 anos de idade devido a um atraso ou um funcionamento anormal em pelo menos uma das seguintes áreas: interacção social, linguagem e jogo simbólico.

Etiologia e Prevalência
A base etiológica desta patologia levanta dúvidas, havendo várias teorias que se debruçam sobre a sua origem mas ainda sem certezas concludentes. Duas teorias têm-se destacado ao longo dos anos: as Teorias Psicogenéticas, com raízes nas teorias psicanalíticas e que defendem que as crianças com autismo não apresentam a doença no momento do parto e que devido a questões familiares desenvolvem o quadro autista. Por outro lado, as teorias biológicas defendem o papel do défice cognitivo como crucial na génese desta patologia, não conseguindo saber se o aparecimento do Autismo é devido a um agente etiológico ou à combinação de vários.

Segundo o DSM-IV, estudos epidemiológicos apontam a que o Autismo apresenta uma prevalência de 5 casos em 10000 sujeitos, havendo um padrão familiar que aponta um aumento do risco em 5% entre irmãos. É mais frequente em crianças do sexo masculino do que do sexo feminino, numa proporção de 3 a 4 para 1.

“Sinais de Alerta” e Diagnóstico Diferencial
Uma identificação precoce dos sintomas é crucial no sentido de providenciar uma intervenção adequada. A identificação das primeiras alterações numa idade precoce, como o atraso na linguagem, a falta de resposta a estímulos auditivos, as dificuldades em manter o contacto visual, o não reagir ao nome quando chamado, a falta de interesse ao mundo envolvente, a ausência de reactividade a estímulos afectivos (Por exemplo: não estender os braços para que lhe peguem ao colo, o não sorrir em resposta ao outro, o não apontar) é fundamental.
O autismo diferencia-se nos sintomas e na sua intensidade das outras Perturbações Globais do Desenvolvimento, nomeadamente a Perturbação de Rett, a Perturbação Desintegrativa da Segunda Infância e a Perturbação de Asperger.

Avaliação
Não existe ainda um diagnóstico totalmente claro de autismo, uma vez que os exames de diagnóstico existentes não o possibilitam. O diagnóstico desta patologia segue três linhas: a psicometria clínica, através de escalas e questionários (Escalas de Rimland, Escala do Comportamento Autísitico: ECA de Barthélémy e Lelord, Escala do Comportamento Autístico – Lactente ECA-N de Sauvage, C.A.R.S e a P.E.P de Schopler); a avaliação das várias vertentes do desenvolvimento implicadas; exames complementares (avaliação ortofónica, psicomotora, neurológica e pediátrica). Providenciar uma avaliação holística e que tenha em conta a criança e as várias esferas em que está inserida é fundamental para se poder providenciar uma intervenção de qualidade.

• A Intervenção
O modelo de intervenção realizado na  clínica de psicologia em Lisboa – ITAD  junto de uma criança com autismo tem em conta que a criança é um ser único e diferente de todos os outros e como tal o programa deverá ser feito à sua medida. Por outro lado, deverá ser global mas realista, traçando objectivos que possam ser alcançados.

Deste modo, a intervenção terapêutica deverá incidir nas seguintes áreas: Comunicação-Interacção (através do contacto através do olhar, proximidade e contacto físico, jogo recíproco, uso do sorriso na interacção), linguagem (através da promoção da espontaneidade, de técnicas específicas para incentivar a imitação verbal e desenvolvimento da linguagem simbólica), área cognitiva (através da promoção da atenção e das relações entre objectivos e meios, desenvolvimento de mecanismos e comportamentos básicos de imitação e de mecanismos básicos de abstracção) e comportamento (através da eliminação dos estímulos discriminativos que desencadeiam os comportamentos desadequados, do reforço dos comportamentos adequados, da eliminação do reforço do comportamento desadequado, do uso do castigo positivo e do castigo negativo), atribuindo responsabilidade à criança, aos Pais e aos Professores de crianças com autismo.

Uma criança com um Transtorno do Espectro do Autismo pode:

      • Ter dificuldade em aprender o significado das palavras
      • Fazer a mesma coisa uma e outra vez, como dizer a mesma palavra
      • Mover os seus braços ou o corpo de uma forma diferente
      • Sentir-se incomodada por muitos ruídos ou sons demasiado altos
      • Ter problemas de adaptação às mudanças (como experimentar novos alimentos, ter um professor substituto, ou ter brinquedos movidos de seus lugares habituais)

Dra. Joana Cabral
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
Clínica de Psicologia ITAD
Av. Almirante Reis nº59 1ºEsq 1150-011 Lisboa – Portugal
211 371 412 – 961 429 911