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Transtorno da Personalidade Borderline

O Transtorno da Personalidade Borderline, é caracterizado por um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e dos afetos e de impulsividade acentuada que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos.

Transtorno da Personalidade Borderline

 

O QUE É?

O Transtorno da Personalidade Borderline, é caracterizado por um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e dos afetos e de impulsividade acentuada que surge no início da vida adulta e está presente em vários contextos, conforme indicado por cinco (ou mais) dos seguintes Critérios Diagnósticos 301.83 (F60.3) (DSM-V):

1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado. (Nota: Não incluir comportamento suicida ou de automutilação coberto pelo Critério 5.)
2. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização.
3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si mesmo.
4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas (p. ex., gastos, sexo, abuso de substância, direção irresponsável, compulsão alimentar). (Nota: Não incluir comportamento suicida ou de automutilação coberto pelo Critério 5.)
5. Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento Auto mutilante.
6. Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade de humor (p. ex., disforia episódica, irritabilidade ou ansiedade intensa com duração geralmente de poucas horas e apenas raramente de mais de alguns dias).
7. Sentimentos crónicos de vazio.
8. Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la (p. ex., mostras frequentes de irritação, raiva constante, brigas físicas recorrentes).
9. Ideação paranóide transitória associada a stress ou sintomas dissociativos intensos.

QUAIS OS PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS?

Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline caracterizam-se, especialmente, por sofrerem de grande instabilidade emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos e polarizados, como por exemplo: “tudo ótimo e tudo péssimo” ou “eu adoro-te e eu odeio-te”, angústia de abandono, perceção de invasão do self, entre outros, que geram comportamentos impulsivos perigosos, sendo comum a presença recorrente de comportamentos Auto lesivos, tentativas de suicídio e sentimentos profundos de vazio e aborrecimento.

O início do transtorno pode ocorrer na adolescência ou na idade adulta.

Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline são verdadeiros “vulcões prontos a explodir a qualquer instante”. Apresentam alterações súbitas e expressivas de humor e as relações interpessoais são intensas e instáveis e, tendem a ficar irritados e frustrados quando as outras pessoas não conseguem atender às suas expectativas irrealistas. A Impulsividade também é extremamente comum nestes individuos.

Estes indivíduos temem o abandono real ou imaginado, com frequência vivenciam sentimentos crónicos de vazio e reação dilacerante ao stress, protagonizando sucessivas ameaças (ou tentativas) de suicídio e automutilação.

O “modus operandis” destes indivíduos traz um sofrimento enorme tanto para si próprios, como para os que com eles convivem. Uma só palavra mal colocada, uma situação inesperada sem relevância ou uma leve frustração, pode levar o borderline a um acesso de raiva e ódio que duram em média poucas horas.

Outra característica importante, é que o borderline nem sempre sabe lidar com o êxito. É comum que eles abandonem ou destruam os seus alvos e metas, quando a perspetiva de consegui-las é real e próxima.

QUAIS AS POSSÍVEIS CAUSAS E FATORES DE RISCO?

Esta perturbação tem tendência a manifestar-se em pessoas com uma vinculação parental ausente, que tiveram pais negligentes, ausentes, violentos ou abusivos. Estes estilos parentais traduzem-se na total ou quase total ausência de regras, limites e rotinas, com papéis familiares invertidos ou inexistentes e hábitos de autocuidado e autorregulação ausentes.

Adicionalmente, existe tendência de agravamento do quadro quando as pessoas passaram por eventos traumáticos na infância e uma grande incidência em casos onde existiu abuso na infância, o que faz com que no caso do abuso sexual se fale no desenvolvimento de trauma complexo.

Existem dados recentes de Neurobiologia que mostram uma incapacidade fisiológica em regular emoções, o córtex cingulado anterior (que regula a amígdala, centro da emoção) e do sulco intraparietal ficam inativos perante situações de grande carga emocional, originando reações emocionais extremas e sem estabilização.

QUANDO PROCURAR AJUDA ESPECIALIZADA?

Sempre que o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline apresentar sintomas muito angustiantes e ou reações que possam afetar ou magoar a si mesmos ou a outras pessoas deve procurar ajuda especializada.

Em situações de comportamentos (auto) lesivos e compulsivos severos, como por exemplo, o jogo patológico, compulsão a compras, presença de comorbilidades, como por exemplo, doenças clínicas simultâneas.

O mesmo ocorre, quando existe intenção suicida ou mesmo, tentativa. Nestes casos, é muito importante que a família e os terapeutas tenham conhecimento destes pensamentos, pois podem ajudar, tanto o paciente, como os familiares a lidar com esta situação.

DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE

O diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline é baseado através de uma minuciosa avaliação realizada por técnicos especializados e qualificados em várias áreas.

Muitos profissionais envolvem o paciente no seu próprio diagnóstico na medida em que lhe vão mostrando os critérios diagnósticos e perguntando quais deles os definem plenamente. Este método ajuda o paciente a aceitar melhor o diagnóstico.

O diagnóstico é clínico, baseado no relato do paciente e nas observações do médico.

É importante lembrar que hoje, o diagnóstico de TBP é feito pela presença de um conjunto de traços e não por um critério isolado. Assim, merece ser destacado no diagnóstico o esforço desesperado que o portador do transtorno faz para evitar o abandono real ou imaginário e a gravidade das alterações das relações interpessoais, na família, escola, trabalho e lazer.

Normalmente, o Transtorno de Personalidade Borderline demora a ser diagnosticado. Pode levar três, cinco, dez ou ainda mais anos até que seja descoberto. É muito importante que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível e que o tratamento seja logo iniciado, pois na grande maioria dos casos a dinâmica familiar já se encontra dilacerada pelo sofrimento e por anos de procura por um diagnóstico correto.

COMO PODE AJUDAR A PSICOTERAPIA?

O enfoque deve ser a relação do cliente consigo próprio e com os outros dado que a área relacional é aquela que surge como mais sensível no transtorno da personalidade borderline e sendo a relação terapêutica fulcral. Um olhar sistémico, conjugal e familiar é imprescindível para se observar as fontes que servem de base e manutenção desta perturbação.

A Psicoterapia pode ajudar o paciente a controlar melhor os seus impulsos e a entender o seu comportamento. Neste caso, o tratamento foca principalmente as questões de tolerância ao sofrimento (do suicídio e da automutilação), e aprendizagem de novas competências, como por exemplo, eficácia interpessoal, cooperação adaptativa nas decepções e crises e na correta identificação e regulação de reações emocionais.

Pode, também, ser realizada terapia familiar, pois em geral a família tende a abandonar o paciente ou a tornar-se superprotetora.

O Transtorno de Personalidade Borderline é considerado um transtorno fronteiriço ou limítrofe da personalidade, de se relacionar com o mundo e um estado que pode ser considerado francamente patológico. Assim sendo, os pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline devem ser considerados caso a caso.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dra. Cláudia Sofia Simões – Psicóloga em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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