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Apraxia

Apraxia, do grego, significa inércia, ou seja, sem ação ou atividade.

Apraxia

A apraxia é um transtorno do sistema nervoso que se carateriza pela incapacidade de realizar movimentos e gestos voluntários aprendidos apesar de o indivíduo os pretender fazer e ter habilidade para tal. A perturbação reside na programação dos comandos sensoriomotores necessários para posicionar e movimentar os músculos envolvidos na tarefa desejada pelo que, normalmente, a palavra dita ou a ação realizada não correspondem ao planeado, estando geralmente o indivíduo consciente do erro.

Não pode ser explicada por défices de compreensão, sensoriais e/ ou neuromusculares.

Existem vários tipos de apraxia, consoante a função/ tarefa afetada ou a parte do corpo envolvida, dependendo as classificações dos autores:

Apraxia Ideacional
Inaptidão para executar tarefas complexas adquiridas na ordem certa (ex.: levar um tabuleiro vazio ao forno durante 40 minutos e colocar-lhe a comida depois); a apraxia ideomotora – incapacidade de realizar voluntariamente uma tarefa aprendida mediante a apresentação dos objetos que esta necessita (ex.: usar uma colher para pentear em vez de com ela mexer o café); a apraxia limbocinética – impossibilidade de fazer movimentos precisos com os membros. Há quem acrescente outras classificações e quem subdivida estas (ex.: dentro da apraxia ideacional pode encontrar-se a apraxia do vestir – incapacidade de vestir as diferentes peças de roupa na ordem correta).

As apraxias descritas seguidamente são do âmbito da terapia da fala, participando o terapeuta na sua avaliação, diagnóstico, prognóstico e intervenção.

Apraxia Buco-Facial
Consiste na incapacidade em cumprir ou imitar ordens verbais que façam uso dos músculos da zona buco-facial (boca e face). Frequentemente é avaliada pedindo-se ao doente para tossir, soprar, assobiar, mandar um beijo, etc. O resultado são movimentos árduos de tentativa-erro quase sempre improdutivos. É sintoma comum a produção do comando verbal enquanto se procura a posição correta ou o movimento acertado. Os doentes ficam normalmente estupefatos, frustrados e/ou envergonhados com o seu desempenho, sendo a depressão e outras perturbações do foro psicológico comuns.

É possível que os movimentos automáticos estejam, contudo, preservados. Ou seja, mesmo que um indivíduo não consiga soprar caso lho peçam, diante de um bolo com velas poderá conseguir fazê-lo.

Apraxia do discurso
É concomitante muitas vezes com a apraxia buco-facial, com a afasia e com a disartria. Resulta da incapacidade de programação dos comandos requeridos no posicionamento e movimentos necessários à produção espontânea da fala, pelo que o output verbal não é o pretendido (a mensagem é formulada mas não é efetuada). Deve-se normalmente a uma lesão no hemisfério dominante envolvido na programação motora da fala. Poderá ser precedida de mutismo que habitualmente desaparece antes das 2 semanas.

Caraterísticas

Erros previsíveis (pouco variados):
Repertório limitado de sons e de expressões;
Possibilidade do discurso automático também estar perturbado;
Respostas erradas mas próximas das pretendidas se o estímulo for adequado;
Maior dificuldade em palavras maiores, desconhecidas ou sem significado e naquelas que apresentam grupos consonânticos;
Menor dificuldade na produção de vogais, ainda que mesmo a imitação de sons isolados seja incorreta;
Os fonemas consonânticos /p/, /b/, /m/, /t/, /d/ e /l/ normalmente estão menos afetados que os restantes;
Mais erros de complicação que de simplificação;
A escrita é geralmente melhor que a fala.

(Ritmo, prosódia e fluência)
• Ritmo lento;
• Vogais e consoantes prolongadas;
• Pausas no início do discurso, falsos inícios e várias tentativas para a mesma palavra/ som;
• Alterações da intensidade e altura tonal entre diferentes frases;
• Alterações de prosódia (pronúncia semelhante à de alguém estrangeiro).

Tratamento

O Instituto de Apoio e Desenvolvimento – ITAD, está especializado em intervenções de problemas da fala. Na nossa clínica de tratamento de problemas da fala em Lisboa, os técnicos fazem um despiste da problemática a fim de realizar uma avaliação completa da mesma. Ainda assim, os nossos técnicos recomendam as seguintes estratégias, se não existe articulação).

• Induzir linguagem não verbal (tosse, suspiros, pigarreio);
• Sussurrar melodias;
• Associar gestos simbólicos desbloqueadores ao som/ palavra (ex.: associar o gesto de “adeus” à palavra);
• Produzir o fonema /a/ com variantes e pressionando a laringe.
(Se existe articulação)
• Treinar vogais, ditongos, consoantes e sílabas simples.
(Nota – existe um método específico de treino do fonema que inclui o apoio da palavra escrita e, numa fase final, a leitura em voz alta);
• Completar frases automáticas (ex.: “bebo água pelo ____”);
• Exercícios de discurso automático (contagem, dias da semana, meses do ano, expressões coloquiais como “bom dia”, poemas ou papéis de teatro, canções).
(Nota – Os exercícios devem ser realizados em frente ao espelho, tendo o terapeuta como modelo).

Aconselhamento para pais e professores

  • Tratar os sentimentos negativos e a reduzida auto-estima;
  • Dar tempo de resposta;
  • Simplificar as instruções;
  • Não pedir repetição de tarefas que envolveram esforço e insucesso (aumentam a frustração);
  • Adotar frases simples e uma intensidade vocal normal (não existem problemas de audição);
  • Explicar aos colegas de turma a patologia, promover a interajuda e abolir a exclusão e discriminação;
  • Em certos tipos de apraxia pode ensinar-se a realizar atividades de forma diferente da habitual, já que as dificuldades de programação são limitadas a movimentos previamente aprendidos (ex.: atar sapatos usando outro método);

Dra. Alexandra Mestrinho
Terapeuta da Fala no ITAD
Clínica de psicologia e terapia da fala
Rua Professor Fernando da Fonseca N8A. 1600-618 Lisboa – Portugal
211 371 412 – 961 429 911