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Disgrafia

Disgrafia deriva dos conceitos “dis” (desvio) + “grafia” (escrita). Define-se como uma dificuldade na escrita, mas concretamente na sua precisão ortográfica, organização e estruturação das frases, nas regras gramaticais e morfossintácticas.

Disgrafia

As causas das dificuldades na aprendizagem da escrita não podem ser originadas por défice cognitivo, razões socioculturais ou um ensino defeituoso. Podem sim existir dificuldades no grafismo ou desenho das letras (muitas vezes chamada “letra feia”), na ortografia ou ordenação correta das letras que constituem as palavras, na correção gramatical e pontuação, ou mesmo na organização e elaboração de textos.

As crianças começam desde muito cedo a sentir a necessidade de se expressarem através da escrita. Esta agilidade vai-se desenvolvendo gradualmente ao longo do progresso escolar da criança. Sendo assim, a realização motora da escrita coincide com a maturação do sistema nervoso central e periférico, com o desenvolvimento psicomotor geral, que raramente é atingido antes dos 5 anos.

A disgrafia, tem que ser analisada em dois contextos: contexto neurológico, em que as alterações estão relacionadas com alterações cerebrais e se centram ao nível da escrita e, no contexto funcional da disgrafia, em que as alterações não estão relacionadas com alterações cerebrais ou sensórias, mas sim com problemas de ordem funcional.

Quais as suas causas?
Existem três tipos de causas para a disgrafia, sendo elas: causas maturativas, que se relacionam com alterações da lateralidade de eficácia psicomotora. Estas crianças são por norma desordenadas, apresentam uma escrita irregular ao nível da pressa, velocidade e traçado.

A segunda causa é uma causa caracterial, que está associada à personalidade da criança, ou seja vai influenciar o aspeto do grafismo da criança. Esta causa está também relacionada com fatores psicoafectivos, pois a criança vai reflectir na escrita o seu estado emocional.

Por fim, a última causa é pedagógica, que está relacionada com a alteração do tipo de letra e com a qualidade ou rapidez da escrita.

Sinais de alerta:
Não é fácil diagnosticar disgrafia, porque quase todas as crianças apresentam algumas dificuldades na aprendizagem da escrita. Mas pode-se considerar algumas características para estar alerto para um possível diagnóstico de disgrafia, sendo elas:
– Traçados muito grossos ou muito finos;
– Ritmo da escrita excessivamente rápido ou lento;
– Caligrafia inclinada;
– Letras separadas, sobrepostas ou ilegíveis.

Como se manifesta?
Existem vários comportamentos que as crianças têm na escrita, mas só se poderá confirmar a problemática da disgrafia se existirem vários comportamentos conjuntos, e são eles:
– Pontuação inexistente ou errada;
– Erros ortográficos com omissão ou troca de letras;
– Ilegibilidade da escrita;
– Incoerência na escrita, onde misturam as letras maiúsculas com as minúsculas, letras de imprensa e manuscritas;
– Erros e borrões;
– Desordem da folha onde escrevem;
– Utilização incorrecta do lápis ou caneta;
– Cópia lenta, mas correta;
– Dificuldade em passar o pensamento para o papel.

Prevalência
A disgrafia atinge cerca de 8% das crianças; por norma está associada a outras patologias como a Dislexia e em cerca de 60% das crianças com défice de atenção, também apresentam esta patologia.

Avaliação
Avalia-se o grafismo da criança tendo em conta os aspectos da página, a inaptidão, a regularidade das letras, os espaçamentos, os erros de forma e a proporção dos mesmos. Deve-se ainda observar a postura, inclinação da folha e a forma como a criança agarra no lápis ou caneta.

Intervenção
É fundamental que as crianças com disgrafia tenham uma intervenção individualizada. Deve-se elogiar a criança pelo seu esforço, mesmo que os resultados atingidos não sejam os esperados pelo terapeuta/professor.

A intervenção terapêutica deve incidir sobre: a postura, controlo corporal, representação do gesto necessário para o traço, perceção espaço-temporal, lateralização, coordenação visomotora, atividades pictográficas, correção de erros específicos do grafismo, aspeto do texto, inclinação da folha e manutenção das margens e linhas.

Os pais e professores podem realizar com as crianças tarefas de desenho, pintura, modelagem, escrita em papel (marquem delimitadas) com lápis e caneta, todas as tarefas devem ser realizadas com a criança sentada.

Dra. Sónia Rosado
Terapeuta da Fala na Clínica do Itad
Clínica de psicologia e terapia da fala
Rua Professor Fernando da Fonseca N8A. 1600-618 Lisboa – Portugal
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