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A g-g-g-g- gaguez em idade escolar

A gaguez é uma perturbação da comunicação que está inserida nas Perturbações do Desenvolvimento do DSM V e que se carateriza pela interrupção do fluxo do discurso através de prolongamentos involuntários de sons e sílabas numa frase.

A g-g-g-g-gaguez em idade escolar

 

A gaguez é uma perturbação da comunicação que está inserida nas Perturbações do Desenvolvimento do DSM V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) e que se carateriza pela interrupção do fluxo do discurso através de prolongamentos (principalmente no “s” e no “ch”, por exemplo: sssssaia) e repetições (por exemplo: pa-pa-pato) involuntários de sons e sílabas numa frase, e até por vezes associados a movimentos corporais como por exemplo, piscar os olhos, balançar com o corpo.

Os bloqueios no incício do discurso são mais frequentes quando é necessária a produção de fonemas oclusivos como o caso dos fonemas /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/, /n/, /m/.

Na verdade todos nós temos alturas em que não conseguimos dizer aquilo que queremos sem nos “engasgarmos”, ou em que não conseguimos encontrar a palavra certa, principalmente em situações em que estamos mais nervosos e cansados, ou até quando nos sentimos desconfortáveis numa determinada situação.

Agora importa saber quando é normal gaguejarmos e quando devemos começar a procurar ajuda especializada??
De uma forma geral, numa pessoa que não apresenta gaguez patológica, as disfluências que acontecem são vistas como uma estratégia que serve para ganhar tempo para formular a mensagem que se quer transmitir à outra pessoa, por outro lado a pessoa com gaguez sabe precisamente o que quer dizer, apresentado disfluência e interrupções no discurso que não são intencionais, têm caráter involuntário, pelo que deve procurar ajuda especializada de um Terapeuta da Fala.

Gaguez na sala de aula

Agora, se pensarmos que a comunicação é a base de todas as relações sociais que estabelemos, então a gaguez pode trazer consequências muito negativas na vida social da pessoa. E se agora pensarmos que essa pessoa é uma criança em idade escolar, na verdade a gaguez poderá ser um impedimento muito forte até para o sucesso escolar dessa criança.

Imaginemos por exemplo que, durante uma aula, a professora coloca uma questão à turma e que nenhum dos alunos sabe responder a essa pergunta, ou melhor dizendo, até existe um aluno nessa turma que sabe a resposta mas que prefere não responder para não gaguejar em frente a todos os colegas; ou por exemplo, numa situação semelhante em que a professora avisa os alunos que irá proceder à avaliação de leitura em voz alta, esta é uma situação que certamente irá trazer mais ansiedade a todos os alunos, até àqueles que não gaguejam, e o aluno que gagueja? Como consegue ler fluentemente em frente à professora e a todos os seus colegas, sabendo que se gaguejar os seus colegas vão gozar com ele no recereio?

Esta é uma situação bastante comum nas nossas escolas, havendo por vezes alunos gagos mascarados de “falsos tímidos”, que na verdade não participam na aula por medo ou por vergonha.

Então se a gaguez tem uma inflência tão grande na vida social das crianças, como podemos resolver este problema?
Na minha opinião a gaguez é uma patologia “para a vida”, podendo considerá-la uma doença crónica, assim, o importante será dar a conhecer à criança estratégias que lhe permitam controlar a sua gaguez. Estas estratégias devem ser oferecidas à criança pelo terapeuta da fala, contudo, devo salientar, que no meu ponto de vista, a intervenção da gaguez não deve passar apenas pelo apoio do Terapeuta da Fala, mas de uma equipa multidisciplinar onde também deve estar presente o psicólogo que poderá também ajudar a controlar a ansiedade.

Gaguez no gabinete terapêutico

Aquando da intervenção em Terapia da Fala, em primeiro lugar, o mais importante será avaliar a gaguez da criança, sendo que desta avaliação o mais importante não será um diganóstico do tipo e grau de gaguez mas sim do impato que a gaguez tem na vida da criança que gagueja. Para esta avaliação inicial devemos ter em conta o que a criança acha da gaguez, quando e como ocorrem episódios de gaguez? Que situações potenciam a gaguez e que situações adiminuem? E que estratégias a criança adotou por si para enfrentar a gaguez.

Em alguns casos as crianças podem até apresentar períodos em que a gaguez está adormecida, levando até os técnicos a pensar que não será um caso de gaguez patológica, na verdade esta é uma siutação que pode ocorrer com frequência, daí a importância de avaliar o impato que a gaguez tem na vida dessa criança, pois esta criança até pode ter raros episódios de gaguez mas esses episódios são bastante impeditivos para a sua vida social.

Então qual será a atuação do terapeuta da fala, após a avaliação do impato da gaguez na vida da criança?
O mais importante será perceber o que acontece quando a criança gagueja, quais são os comportamentos que a criança apresenta e se manifesta movimentos corporais associados. Após esta primeira etapa, na minha perspetiva, a intervenção terapêutica deve incidir no ensino de estratégias para o relaxamento, controlo da respiração e modificação de padrão de fala que por ser um ato voluntário deve ser treinado de diversas formas (por exemplo, pela leitura e conversação), sendo importante, por exemplo a gravação da leitura da criança para que esta possa visualizar os comportamentos e episódios de gaguez.

Por último, o treino de modificação do padrão de fala deverá ser praticado pela criança, primeiramente sozinha, depois com alguém com quem a criança matenha uma relação próxima e por fim, no seu dia-a-dia, pois o principal objetivo do Terapeuta da Fala será tornar a criança que gagueja autónoma e com estratégias suficientes para superar a gaguez durante a sua vida.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dr. Sérgio Filipe Pereira – Psicólogo em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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