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Hidrocefalia

O método diagnóstico mais eficaz e rápido é a ecografia, podendo diagnosticar a hidrocefalia no feto durante a gravidez. Para delimitar a área afetada, podem ser feitos outros exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética. O diagnóstico precoce é importante, pois quanto antes for iniciado o tratamento, menor são as hipóteses de lesões.

Hidrocefalia

A hidrocefalia (palavra derivada do grego hidro=água; céfalo=cabeça) é um cúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano, dentro dos ventrículos (espaços no cérebro) ou do espaço subaracnóide.

Este fluído é formado nos ventrículos, circula através do sistema ventricular e é absorvido para a corrente sanguínea. Possui diversas funções e protege o encéfalo e a medula espinal contra choques, agindo como uma almofada. A lesão em questão surge quando há um desequilíbrio entre a quantidade produzida desse líquido e a quantidade que é absorvida.

Esse desequilíbrio pode ocorrer devido a uma obstrução na drenagem do líquido para o sistema sanguíneo, ou também pode ocorrer por outras razões, como o excesso de produção do líquido cefalorraquidiano.

Consequentemente ao aumento de líquido cefalorraquidiano, ocorre uma dilatação dos ventrículos, levando ao aumento da pressão dentro do crânio.

Tipos

Há três tipos de hidrocefalia, que se classificam de acordo com a causa.

Hidrocefalia obstrutiva ou não-comunicante: é quando há um bloqueio no sistema ventricular do cérebro, impedindo que o líquido cefalorraquidiano flua normalmente pelo cérebro e pela medula espinal. Esta obstrução pode surgir no nascimento ou após o nascimento.
Hidrocefalia não-obstrutiva ou comunicante: resulta da baixa produção ou absorção do líquido cefalorraquidiano. É mais comum ocorrer quando há uma hemorragia no espaço subaracnóideo, sendo que pode estar presente no nascimento ou surgir depois.
Hidrocefalia de pressão normal: este tipo de hidrocefalia adquirida comunicante, onde os ventrículos estão dilatados, no entanto, não há aumento de pressão, aparecendo com maior frequência em pessoas idosas. Resulta de um trauma ou doença, mas as causas exatas ainda não estão totalmente elucidadas.

Esta doença pode ter causa congénita, relacionada principalmente a três causas:

• Genética (hereditário);
• Espinha bífida;
• Recém-nascidos prematuros.

Já nos casos de hidrocefalia adquirida, as causas podem ser:

• Infecções (citomegalovirus, hepatite, toxoplasmose, poliomielite, entre outras);
• Hemorragia intra ventricular;
• Meningite;
• Traumatismos;
• Tumores e quistos.

Sintomas de Hidrocefalia

Os sintomas de hidrocefalia variam geralmente de acordo com a idade.

Em bebés, os sintomas mais comuns incluem:

• Alterações na cabeça
• Cabeça bem maior do que o normal
• Aumento rápido do tamanho da cabeça
• Moleira na parte superior da cabeça

Sintomas físicos

• Vómito
• Sonolência
• Irritabilidade
• Má alimentação
• Convulsões
• Olhos fixos voltados para baixo
• Déficits no tónus muscular e pouca força muscular

Em crianças mais velhas:

• Dor de cabeça
• Visão turva ou dupla
• Aumento anormal da cabeça da criança
• Sonolência
• Dificuldade para permanecer acordado ou para acordar
• Náuseas ou vômitos
• Equilíbrio instável
• Má coordenação
• Falta de apetite
• Convulsões

Alterações comportamentais e cognitivas

Em crianças:
• Irritabilidade
• Mudança de personalidade
• Déficit de atenção
• Declínio no desempenho escolar
• Atrasos ou problemas com habilidades anteriormente adquiridas, como andar ou falar

Em adolescentes e adultos:
• Dor de cabeça
• Dificuldade para manter-se acordado ou para acordar
• Perda de coordenação ou equilíbrio
• Perda de controlo da bexiga ou uma necessidade frequente de urinar
• Deficiência visual
• Declínio da memória, concentração e outras habilidades de pensamento que podem afetar o desempenho no trabalho

Diagnóstico:

O método diagnóstico mais eficaz e rápido é a ecografia, podendo diagnosticar a hidrocefalia no feto durante a gravidez.

Para delimitar a área afetada, podem ser feitos outros exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O diagnóstico precoce é importante, pois quanto antes for iniciado o tratamento, menor são as hipóteses de lesões.

Tratamento de Hidrocefalia

Além dos enfermeiros, serviços sociais, grupos de apoio e órgãos locais, os psicólogos podem fornecer apoio emocional e assistência à criança com hidrocefalia que tiver um dano cerebral significativo.

Com a ajuda de terapias de reabilitação e intervenções educativas, muitas pessoas com hidrocefalia são perfeitamente capazes de viver normalmente, com algumas limitações, dependendo do caso.

Ao lidar com pessoas que têm hidrocefalia, é preciso entender que o cérebro é constituído por áreas distintas, sendo que cada parte é determinada por uma função, sendo elas a fala, a escrita, os sentimentos, a memória e os pensamentos.

Nesse contexto, importa destacar que os distúrbios da fala e da linguagem podem interferir na capacidade da pessoa em entender, expressar os seus pensamentos ou em ser entendida.

Pessoas com distúrbios da linguagem podem ter dificuldade para entender palavras faladas ou escritas, uma vez que os distúrbios da linguagem podem resultar de uma incapacidade intelectual.

Podem resultar também do espectro autista, da perda da audição, de lesão no crânio ou de tumores cerebrais, de AVC (Acidente Vascular Cerebral) e da demência. Os distúrbios da linguagem também existem em pessoas com desenvolvimento intelectual, sensorial e físico dito normal.

No que se refere à escrita, o distúrbio é identificado como disgrafia ou também conhecido como letra feia. A disgrafia, porém, não está associada a nenhum tipo de perturbação intelectual. Já, a dislexia é um distúrbio que afeta a capacidade de leitura e escrita, e o diagnóstico só pode ser realizado na criança na fase da alfabetização e para a qual não existe “cura”, mas o acompanhamento com um psicólogo pode garantir o desenvolvimento na fase escolar.

Quanto à memória, aos sentimentos e aos pensamentos, estas são funções que caracterizam o indivíduo como um ser único e insere-o na sociedade, mediante o uso da linguagem que estrutura grande parte da memória.

Para os portadores de hidrocefalia, dependendo da área do cérebro lesionada, poderá ocorrer uma perturbação da fala, da escrita e, consequentemente, das memórias.

No que se refere à aquisição de conhecimentos de pessoas com hidrocefalia, as pesquisas mostram que a aprendizagem será mais eficaz e a recordação da informação mais fácil, se mais sentidos forem trabalhados com o auxílio dos estímulos multissensoriais.

As atividades multissensoriais, aplicadas a crianças com hidrocefalia, devem ser realizadas em espaços específicos, criados a partir do conhecimento em técnicas ocupacionais e da necessidade de um atendimento para estimular a capacidade sensório-motora em diversos aspectos e áreas.

Muitas outras atividades podem ser criadas e desenvolvidas com o objetivo de auxiliar o hidrocefálico a conquistar a sua independência na locomoção física, no raciocínio lógico, objectivando uma melhoria significativa nas aprendizagens académicas.

As crianças com hidrocefalia que tiverem pleno acesso ao desenvolvimento intelectual e cognitivo, por meio de estímulos e acompanhamento psicológico e pedagogo adequado e bem aplicado, serão adultos com mais independência, autonomia, conhecimento intelectual e reconhecimento cognitivo, permanecendo aptos a acompanhar e a se desenvolver na sociedade na qual estão inseridos, obtendo êxito nas suas relações, seja profissional ou pessoal.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dra. Cláudia Sofia Simões – Psicólogo em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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