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Leitura

A aprendizagem da escrita ocorre naturalmente (bem como a leitura), sendo que, quanto mais familiar for o convívio que a criança estabelece com os livros e outros materiais escritos, mais fácil e natural será todo o processo.

Leitura

O desejo de aprender a ler e escrever despertará na criança como uma necessidade interna, ao contrário do que acontecerá com crianças que nunca conviveram com a linguagem escrita. Nestas, a escrita, bem como a leitura, serão imposições externas, que servirão apenas para passar de ano e fazer os trabalhos da escola.

FASES DA APRENDIZAGEM DA ESCRITA

A compreensão da escrita

Para a compreensão da escrita considera-se a existência de três fases: a fase cognitiva, a fase de domínio e a fase de automatização.

A fase cognitiva corresponde à compreensão dos objetivos da escrita e das suas caraterísticas.
Na fase do domínio aprende-se as correspondências grafo-fonológicas, a orientação espacial dos símbolos gráficos e os atos motores necessários à escrita. Nesta fase, as diversas operações não estão ainda automatizadas.
Na fase da automatização é requerido menor controlo consciente para realizar a tarefa, ou seja, a aprendizagem está interiorizada.

Sempre que a primeira fase não estiver consolidada torna-se mais difícil aceder à escrita, o que poderá estar na origem do insucesso escolar.

As primeiras tentativas de escrita da criança

Entre os 18 meses e os 2 anos de idade, a criança mostra sobretudo interesse pelos seus movimentos. Desta forma, faz marcas num papel, em mesas, nas paredes ou mesmo no chão, seja com um lápis, um pau ou com o próprio dedo.

Por volta dos 3 anos mostra interesse pelas marcas resultantes desse movimento, pelo que não gosta de cores claras que não evidenciam essas marcas. Neste período das garatujas, a criança começa a nomear as formas que produz, atribuindo-lhes um significado, ainda que arbitrário. Assim, um traço qualquer pode significar várias coisas, como montanhas, um cavalo ou uma flor.

Numa fase posterior, a criança tenta reproduzir a escrita do adulto, fazendo garatujas, formas que se assemelham a letras ou sequências de letras a que conferem significado. Esta etapa ocorre, geralmente, muito antes da entrada para a escola, por volta dos 4 anos. De forma a aceitar as referidas tentativas de escrita, o adulto pode pedir à criança que o esclareça acerca do significado das mesmas, traduzindo por baixo aquilo que a criança pretendia representar.

Uma outra estratégia para que a criança comece a perceber que a escrita codifica mensagens, será perguntar à criança o que é que ela pretende comunicar, antes que ela comece a escrever. Deste modo, possibilitará que a criança compreenda que o pensamento da ideia a comunicar precede a escrita.

A escrita como representação da realidade

A primeira fase da escrita representa apenas a realidade e não a linguagem oral. Assim, por exemplo, palavras que remetem para objetos pequenos tendem a ser mais pequenas do que aquelas que se referem a objetos maiores, segundo a perspetiva das crianças.

Também na primeira fase, as crianças não transpõem para a escrita a ordenação das letras e palavras da oralidade, ou seja, não têm em conta a linearidade com que estas ocorrem na linguagem falada.

Nesta etapa, a criança poder fazer várias leituras daquilo que está realmente escrito (ex.: uma imagem de uma bola e um menino pode ser interpretada como “a bola é do menino”, “o menino joga à bola”, etc), transpondo para a interpretação da escrita os mesmos métodos que usa aquando da interpretação dos desenhos. À medida que a criança vai interagindo com a escrita, vai começando a perceber que esta é literal, pelo que só se pode ler o que realmente está escrito.

Para desenvolver estas conceções os educadores podem pôr em prática determinadas estratégias como escrever o que a criança diz à sua frente, pronunciar as palavras à medida que as escrevem e apontar o sentido da escrita (da esquerda para a direita). Assim, a criança desenvolverá, respetivamente, as noções de representatividade da linguagem oral, linearidade e literalidade da linguagem escrita.

A escrita como representação da linguagem oral

Uma vez interiorizados os conceitos referidos anteriormente, a criança passa a representar a linguagem oral na escrita, começando por considerar que a unidade oral é a sílaba. Cada uma destas unidades silábicas é representada na escrita por uma letra, que pode ser escolhida aleatoriamente. Por exemplo: pretende-se que uma criança escreva a palavra [gato], ela escreve , para e para .

Assim, a criança, percebendo que há uma representatividade dos fonemas na grafia, sabe que um único grafema não poderá representar uma palavra com mais do que um som. Posteriormente, a criança apercebe-se que os sons têm uma representação convencional, não podendo, portanto, um determinado fonema ser representado por qualquer grafema.

Começa, então, a fonetização da escrita não havendo, obrigatoriamente, correspondência exata do número de grafemas relativamente ao número de fonemas. Por exemplo, a palavra «formiga» pode ser escrita por uma criança como , recorrendo ela ao nome das letras que conhece para representar os sons das palavras.

Mais tarde, mesmo sem produzir uma escrita alfabética, a criança já representa uma sílaba por mais do que uma letra, como é o exemplo de «cavalo» que pode ser representado como .

Por fim, a criança começa a representar cada fonema da linguagem oral através de uma letra, adquirindo, assim, uma escrita alfabética.

Etapas finais da escrita

Após a aquisição de todas as etapas anteriores, a criança deverá ser capaz de aceder a todos os níveis da escrita. Tal implica ter a capacidade de copiar, de transpor para a escrita aquilo que lhe é ditado e redigir um texto.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dr. Sérgio Filipe Pereira – Psicólogo em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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