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Recusa Escolar

A criança com Recusa Escolar sente-se ansiosa, assustada, e por vezes até mesmo em pânico perante a necessidade de ir para a escola. Este medo e preocupação intensa causam muitas vezes dificuldades em dormir e pesadelos, assim como sintomas físicos para os quais não é encontrada uma justificação médica.

Recusa Escolar

O que é a Recusa Escolar?

A recusa em ir à escola é um problema que afeta muitas crianças em idade escolar. A criança com Recusa Escolar sente-se ansiosa, assustada, e por vezes até mesmo em pânico perante a necessidade de ir para a escola. Este medo e preocupação intensa causam muitas vezes dificuldades em dormir e pesadelos, assim como sintomas físicos para os quais não é encontrada uma justificação médica (ex. dores de barriga ou de cabeça, perda de apetite, vómitos ou febre).

Estes sintomas são tipicamente mais frequentes e intensos nos dias de semana, com maior frequência ao acordar e à hora de ir para a escola, e a sua intensidade tende a diminuir ao longo do dia.

Estas situações são mais frequentes no início da escolaridade (entre os 5 e os 7 anos) ou na transição do 1.º para o 2.º ciclo (10-11 anos). À Recusa Escolar da criança está frequentemente associada a ansiedade de separação dos pais e do mundo que lhe é familiar e no qual se sente protegido.

Nas crianças, o medo e a ansiedade podem ser expressos por choro, birras, imobilidade ou retraimento. O seu medo, ansiedade e recusa escolar interferem significativamente na sua rotina normal, bem como no funcionamento escolar, atividades sociais e relacionamentos.

Com efeito, as crianças com Recusa Escolar tendem a apresentar dificuldades em dormir sozinhas ou medo de ir para casa de amigos, por receio de se separar das suas figuras de vinculação.

Para além disso, e em contexto escolar, estas crianças e adolescentes revelam por vezes ansiedade de desempenho, que se caracteriza por um estado ansioso em situações passíveis de gerar uma avaliação negativa do seu comportamento. Nestes casos, é comum existir evitamento de situações em que o jovem se sinta exposto socialmente, quer na interação com os adultos, quer com os pares, o que origina problemas académicos, sociais e de ocupação de tempos livres.

Quais as causas de Recusa Escolar?

Os motivos que levam a criança a desenvolver Recusa Escolar podem ser muito variados ou uma associação entre eles.

Na origem da recusa em ir à escola podem estar problemas ou alterações na dinâmica familiar (ex. mudança de casa, nascimento de um irmão, divórcio dos pais, morte de um familiar, conflitos familiares).

Nalguns casos, o motivo poderá também estar ligado à escola e relacionar-se por exemplo com uma mudança de escola ou com situações em que a criança se sente rejeitada e ameaçada pelo grupo de pares, com um professor autoritário e punitivo ou com dificuldades de aprendizagem, que levam a que a criança se sinta menos capaz de acompanhar a turma e de corresponder às expetativas dos adultos.

Embora o problema pareça centrar-se na escola, e tal como referido anteriormente, com frequência a maior dificuldade da criança consiste em separar-se dos pais e da segurança do meio familiar.

Geralmente, a criança é ansiosa, dependente dos pais, insegura e com falta de confiança em si própria, evidenciando o estabelecimento de relações de dependência com os pais e inseguranças construídas durante o seu desenvolvimento.

Alguns pais reforçam a atitude de Recusa Escolar devido, por exemplo, a um estilo parental demasiado protetor, reforçando positivamente os filhos quando ficam em casa (ex. ao dar-lhes mais atenção, mimos, ao deixá-los levantar-se tarde ou jogar no computador).

Em qualquer das situações, é necessário que os pais estejam muito atentos, que consigam perceber que criança precisa de ajuda para ultrapassar esse momento e não permitam que a situação se prolongue, pois quantos mais dias estiver afastada da escola mais difícil será o seu regresso.

Quais os sinais de alerta para detetar a Recusa Escolar?

• Resistência em levantar-se de manhã para ir para a escola.
• Queixas somáticas frequentes (ex. cefaleias, dores de estômago) sem causas físicas.
• Preocupação ou angústia excessivas com as suas responsabilidades escolares.
• Faltas à escola ou chegadas tardias às aulas frequentes e não justificadas.
• Ausência em dias significativos (ex. dias de testes, de apresentação de trabalhos ou a aulas de Educação Física).
• Recusa em participar em atividades em que se possa sentir exposto e avaliado (competições desportivas, apresentações orais, idas ao quadro).
• Participação espontânea em sala-de-aula diminuta.
• Pedidos frequentes para telefonar para casa ou para ir para casa, ao longo do dia.
• Durante os testes, a criança ou jovem revela-se inquieto e mostra claros sinais de ansiedade.
• Dificuldade em adormecer ou sono agitado nas vésperas de situações de avaliação de desempenho (testes, apresentações de trabalhos).
• Dificuldade em concentrar-se.
• Sinais observáveis de ansiedade nas situações temidas (ex., rubor facial, mãos frias e húmidas, tremores, voz tremida, transpiração).
• Acontecimento traumático em contexto familiar.
• Humor depressivo ou irritável.

Quais as consequências da Recusa Escolar?

Quando a situação de absentismo às aulas se prolonga, a criança apresenta progressivamente maior dificuldade em regressar à escola. É comum instalar-se uma situação de atraso ou insucesso escolar e, progressivamente, a criança distancia-se dos colegas e amigos, isolando-se do convívio com eles.

A estas dificuldades graves no funcionamento educacional e social, associa-se ainda o maior risco que estas crianças têm de desenvolver uma Perturbação de Ansiedade (ex. Perturbação de Pânico ou Fobia Social) na adolescência ou idade adulta, caso não se intervenha atempadamente sobre as suas dificuldades.

Estratégias para pais de crianças ou jovens com Recusa Escolar:

Se o seu filho/a manifesta estas dificuldades, deve intervir de imediato e não deixar que a situação se prolongue:

• Converse com o seu filho/a e dê-lhe oportunidade para falar dos seus medos e preocupações, tanto consigo como com o professor ou diretor de turma.
• Envolva o seu filho/a no planeamento das estratégias a utilizar para resolver o problema, incentivando as suas propostas e sugestões e ajudando-o/a depois a concretizá-las.
• Encoraje o seu filho/a a regressar às aulas o mais rapidamente possível e procure o apoio da escola e dos professores para esse efeito.
• Estabeleça rotinas previsíveis para os períodos da manhã e da noite.
• Reforce os comportamentos positivos da criança e os seus esforços.
• Ignore os comportamentos negativos (ex. choramingar).
• Tente que os colegas e amigos sejam elementos importantes na integração da criança na escola.
• Se identificar possíveis fatores que contribuam para o problema (ameaças de colegas, dificuldades de aprendizagem ou problemas familiares) tente encontrar uma solução para os mesmos ou procure a ajuda profissional de um Psicólogo.

Estratégias para professores de alunos com Recusa Escolar:

• Dar as boas-vindas à criança quando esta chega à escola.
• Em crianças mais pequenas, permitir que um dos pais o acompanhe à escola e se sente perto dele. Gradualmente, reduzir o tempo de permanência da mãe ou pai na escola.
• Permitir que crianças mais novas levem objetos de transição para a escola (ex. um brinquedo) que lhe tragam conforto em momentos de maior ansiedade.
• Ensinar à criança canções com letras que expressem coragem e força, que a criança poderá cantar em momentos de maior ansiedade.
• Trabalhar em colaboração com os pais no sentido de monitorizar a assiduidade do aluno/a, especialmente no caso de alunos mais velhos.
• Envolver o aluno no desenvolvimento das aulas, atribuindo-lhe tarefas especiais (ex. distribuir ou recolher fichas e manuais, tirar fotocópias).
• Designar um colega para os períodos de intervalo ou almoço, que possa ajudar o aluno/a socialmente ansioso a sentir-me mais integrado.
• Disponibilizar tutoria ou outras intervenções académicas para alunos com dificuldades de aprendizagem.
• Mostrar sensibilidade perante alunos com ansiedade de desempenho (ex. reduzir a necessidade de apresentar trabalhos em frente à turma).
• Encorajar e valorizar o aluno/a nos seus progressos (ex. estabelecendo recompensas para a sua assiduidade).
• Intervir sempre que o aluno/a se sinta inseguro ou ameaçado em contexto escolar.
• Desenvolver programas de prevenção de situações de bullying e violência.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dr. Sérgio Filipe Pereira – Psicólogo em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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