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Rivalidade entre Irmãos

A Rivalidade entre Irmãos é um dos problemas que atinge grande parte das famílias. Durante a infância, o desenvolvimento das crianças é marcado pela necessidade de atenção dos pais, o que tende a gerar competição entre os irmãos.

Rivalidade entre Irmãos

Por que são importantes as relações entre irmãos?
As relações entre irmãos são fundamentais na vida individual e familiar. O relacionamento entre irmãos influencia o desenvolvimento ao longo da vida e o ajustamento psicossocial em esferas que vão desde os relacionamentos românticos e relações com os pares, comportamentos de saúde versus comportamentos de risco, e trajetórias pró-sociais versus antissociais. As investigações nesta área apoiam a ideia de que o fortalecimento das relações entre irmãos promove o funcionamento saudável da família, a saúde psicológica e as competências sociais das crianças e jovens, prevenindo simultaneamente comportamentos de risco (ex. consumo de substâncias).

A família é a matriz de socialização, e a relação fraternal é a primeira relação horizontal que existe. Por isso mesmo, ter irmãos é um desafio útil para as crianças, na medida em que vai forçá-las a lidar com situações e emoções com que se vão confrontar ao longo da vida, desenvolvendo competências de resolução de problemas, negociação, autocontrolo da raiva, de partilha e de maior tolerância à frustração. As relações na fratria são uma importante fonte de aprendizagem e de treino de relações entre iguais, e é no contexto destas relações que se desenvolvem não só sentimentos de competição mas também de solidariedade, entre crianças que estão ao mesmo nível e que possuem o mesmo tipo de poder.

A relação entre irmãos pode ser uma fonte de experiências positivas e únicas em cada família, constituindo-se como um fator de proteção relativamente ao desenvolvimento de problemas emocionais internalizantes (como tristeza, ansiedade, queixas somáticas), e de proteção na adversidade. Promove comportamentos positivos de entreajuda, dentro e fora do universo familiar, tendo o potencial de os irmãos poderem ser, para toda a vida, um refúgio afetivo e de segurança.

O que é a rivalidade entre irmãos?
Durante a infância, o desenvolvimento das crianças é marcado pela necessidade de atenção dos pais, o que tende a gerar competição entre os irmãos. De facto, a relação fraterna é uma intimidade imposta, envolvendo um misto de rivalidade, ciúme e competitividade, mas simultaneamente cumplicidade e lembranças partilhadas. Os irmãos não escolhem a família em que nascem, e não se escolhem um ao outro. Podem ser do sexo oposto, têm idades e provavelmente personalidades diferentes e, o mais difícil, têm de partilhar entre si as duas pessoas que mais querem para si próprios: os seus pais.

Neste sentido, a rivalidade é um sentimento universal que ocorre entre irmãos. A fratria nunca é um lugar de experiências partilhadas igualmente por todos os irmãos. Cada um deles ocupa um lugar específico nesse subsistema familiar, ao qual corresponde um papel único e diferente dos papéis dos restantes membros.

Uma forma de ajudar a distinguir o normativo do patológico, é procurar avaliar se apesar das manifestações de rivalidade ou hostilidade, os irmãos conseguem ter interações positivas em períodos em que conseguem brincar e relacionar-se de forma amistosa. No entanto, se se verificar manifestação excessiva de agressividade, a par de uma postura desafiante e opositora, inicia-se o que poderá vir a perdurar como uma rivalidade patológica entre irmãos.

Quais as causas da rivalidade entre irmãos?
• A posição na família é um aspeto diferenciador entre irmãos, sobretudo pelos papéis que lhe são inerentes e pelas consequentes expetativas parentais (por exemplo, o irmão mais velho pode sentir-se pressionado com responsabilidades para com o irmão mais novo, ou o irmão mais novo pode sentir que nunca consegue ter os mesmo privilégios que o irmão mais velho).
• O sexo: ser-se rapaz ou rapariga (por exemplo, um filho pode sentir ciúme da irmã porque o pai parece mais afetuoso com ela, ou a filha pode sentir-se rejeitada por não participar numa viagem de caça com o pai e o irmão).
• A idade e nível de desenvolvimento, que leva a interpretações diferentes de acontecimentos familiares.

Como intervir em caso de rivalidade entre irmãos?
• Promover espaços de convívio e atividades conjuntas que irão reforçar a união entre irmãos e o sentido de pertença à família (ex. jogos de tabuleiro realizados em família, formando uma equipa com os irmãos).
• Valorizar as diferenças entre irmãos, para que as crianças se sintam bem com as suas características.
• Nunca fazer comparações entre irmãos, pois intensifica as rivalidades e tem consequências negativas na autoestima.
• Quando surgir um conflito, verifique se as crianças conseguem resolvê-lo sem a intervenção do adulto.
• Se interferir no conflito, tente resolver o problema com os seus filhos, e não pelos seus filhos.
• Se optar por intervir como mediador, promover a partilha de pontos de vista e emoções, mantendo-se imparcial e não assumindo o papel de detetive que procura descobrir o “culpado”.
• Ensinar-lhes quatro etapas para resolver conflitos: clarificar o problema, escutar ativamente o outro, procurar diferentes soluções e escolher a que for benéfica para ambas as partes.
• Incentivar os filhos a procurarem estratégias não agressivas de resolução de conflitos. É muito importante que também os pais resolvam os seus conflitos com os filhos sem agressividade, pois é muito provável que os filhos os imitem.
• Dar-lhes espaço: os irmãos partilharem tempo juntos é tão importante quanto poderem viver a sua individualidade, estando sozinhos, sozinhos com os pais ou com os amigos.
• Dirigir a sua atenção para as crianças em muitos outros momentos para além das situações de rivalidade. Privilegie dar-lhes atenção nos momentos em que há interações positivas, elogiando a sua capacidade de partilharem brincadeiras e trabalharem em equipa.

Lembre-se que qualquer filho quer ser o mais amado, o mais valorizado e o mais reconhecido. Isto significa que quanto menos afeto percecionarem por parte dos pais, mais rivalidade e conflitos existirão entre irmãos. Se o ciúme for excessivo ou mesmo patológico, não hesite em pedir ajuda a um Psicólogo.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dr. Sérgio Filipe Pereira – Psicólogo em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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