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Sistema de Comunicação PIC

O objetivo da intervenção com sistemas alternativos de comunicação é a aquisição de vocabulário funcional.
O material pedagógico PIC pode ser usado em situações e atividades diversas (construção de jogos, elaboração de cartazes, criação de sequências, identificação de espaços, descrição de situações vivenciadas, escrita de cartas).

SISTEMA DE COMUNICAÇÃO PIC

O sistema gráfico de comunicação PIC (Pictogram Ideogram Communication) foi concebido pela terapeuta da fala Subhas Maharaj (1980, Canadá) e nasceu da necessidade da criação de um sistema gráfico simples que pudesse ser utilizado por jovens com deficiência mental.

Atualmente é constituído por 800 símbolos pictográficos, mas só 400 estão traduzidos e adaptados à Língua Portuguesa. As imagens consistem em figuras estilizadas, desenhadas a branco sobre fundo negro, a fim de ser acessível àqueles com problemas cognitivos ou percetivos. O significado do símbolo é escrito na sua parte superior, o que permite a comunicação com interlocutores que não dominem este sistema.

O sistema apresenta, principalmente, símbolos pictográficos que se referem maioritariamente a objetos ou situações que podem ser representados de forma iconográfica, mas também apresenta alguns símbolos ideográficos.
Os símbolos agrupam-se segundo a seguinte ordem temática ou categorias:

– Pessoas
– Partes do corpo
– Vestuário e utensílio pessoais
– Casa (geral)
– Casa de banho
– Cozinha
– Comida (geral)
– Doces

Como desvantagens apontam-se o pequeno grau de flexibilidade para a formação de novos significados (devido à dificuldade de obtenção de novos significados mesmo combinando símbolos), serem difíceis de desenhar e serem dispendiosos de imprimir dado o fundo negro.

Alguns autores mencionam ainda que apesar de compreensão fácil, pode limitar a comunicação em pessoas que poderiam aceder ao sistema Bliss ou à escrita normal.

A combinação com outros signos de outros sistemas quando os mesmos não estiverem disponíveis no sistema PIC pode ser uma estratégia a seguir.

Condições de utilização

Condições básicas para que o utilizador possa aprender e valer-se dos pictogramas PIC:
• Capacidade para escolher um determinado símbolo (utilizando ajudas técnicas se for necessário);
• Capacidade de concentração (pelo menos cinco minutos);
• Apresentar um comportamento estável;
• Compreensão da linguagem;
• Acuidade visual e perceção;
• Discriminação das imagens e memorização (para que o utilizador possa reter e rentabilizar a informação).

No caso destas condições básicas não se encontram reunidas é necessário treinar-se o indivíduo para aceder a este sistema de comunicação ou encontrar-se outro que mais se adeque.

Introdução do PIC

Aconselha-se uma avaliação inicial para verificar o conhecimento do indivíduo relativamente aos pictogramas e se selecionar os símbolos necessário à satisfação das suas necessidades comunicativas (técnicos e familiares devem participar neste processo).

Após esta seleção são categorizados para que possam ser trabalhados separadamente.

Recomenda-se que se trabalhem apenas cinco símbolos de cada vez, podendo ser reduzidos para um mínimo de dois quando as capacidades do indivíduo o justificarem.

A aprendizagem do sistema é feita por etapas tendo por base o conhecimento profundo do utilizador e do seu contexto de vida:

1º Passo – Identificação rápida e segura em diversas situações para uma seleção dos símbolos que correspondam às necessidades e seus interesses comunicativos;
Por vezes torna-se necessário o recurso à pantomima (no caso dos verbos) e ao contacto direto com o objeto real (no caso dos substantivos), como reforço da expressão oral, para que se torne possível a relação entre o conceito e o símbolo correspondente.

2º Passo – Ilustração, por meio de gestos e ações, de modo que o aluno mostre que concetualizou o significado do símbolo e o consiga generalizar. Nesta fase inicia-se a utilização funcional dos pictogramas.

3º Passo – Comunicação com vários símbolos, o que exige a utilização do símbolo como meio de comunicação.
Cada símbolo dominado é colado na tabela dos pictogramas e esta servirá, não só para o profissional visualizar de forma mais imediata o léxico disponível, mas também para que o indivíduo se oriente e reforce a situação de aprendizagem. Nesta fase, o aluno deve aprender a combinar os símbolos numa relação lógica.

A organização da tabela de comunicação deve atender aos interesses do utilizador, de modo a permitir a associação de símbolos-conceitos em torno de uma ação central, rentabilizar ao máximo o espaço para a colocação de símbolos e ser desdobrável para facilitar a sua transferência para outros espaços.

Tendo em conta que os níveis de desenvolvimento dos indivíduos são diversos, não se definem as regras gerais para a construção e disposição dos pictogramas numa tabela.

Como registo de aprendizagens sugere-se a elaboração de um dicionário de signos onde se anote, por ordem alfabética, a tradução ou glosa de cada signo, assim como os signos que se estão a ensinar, os que o indivíduo usa, os que compreende e os que usa e compreende, para que todos os interlocutores regulares do utilizador possam identificar de imediato qualquer signo.

O treino sistemático é uma ótima estratégia para consolidar aprendizagens.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dr. Sérgio Filipe Pereira – Psicólogo em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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