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Tricotilomania (Transtorno de Arrancar o Cabelo)

A característica essencial da tricotilomania (transtorno de arrancar o cabelo) é arrancar o próprio cabelo de forma recorrente.

Tricotilomania (Transtorno de Arrancar o Cabelo)

O que é Tricotilomania?

A característica essencial da tricotilomania (transtorno de arrancar o cabelo) é arrancar o próprio cabelo de forma recorrente. Este comportamento pode ocorrer em qualquer região do corpo em que crescem pelos; os locais mais comuns são o couro cabeludo, as sobrancelhas e as pestanas, enquanto os menos comuns são as regiões axilar, facial, púbica e peri-retal. Os locais de onde o cabelo é arrancado podem variar com o tempo.

O ato de arrancar o cabelo pode ocorrer em breves episódios distribuídos durante o dia ou durante períodos menos frequentes. O ato de arrancar o cabelo pode levar à perda de cabelo, embora os indivíduos com esse transtorno possam fazê-lo em um padrão bem distribuído (i.e., puxar fios individuais dispersos), de forma que a perda de cabelo pode não ser claramente visível, ou então podem tentar esconder ou camuflar tal perda (p. ex., usando maquiagem, lenços ou perucas).

Os indivíduos com tricotilomania, por norma, fazem repetidas tentativas de reduzir ou parar o ato de arrancar o cabelo. Este ato, causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. O termo sofrimento inclui afetos negativos que podem ser experimentados pelos indivíduos que arrancam o cabelo, tais como sensação de perda de controle, constrangimento e vergonha. Pode ocorrer prejuízo significativo em várias áreas diferentes de funcionamento (p. ex., social, profissional, acadêmica e lazer), em parte devido à evitação do trabalho, da escola ou de outras situações públicas.

Critérios Diagnósticos DSM V, 312.39 (F63.3):

A. Arrancar o próprio cabelo de forma recorrente, resultando em perda de cabelo.
B. Tentativas repetidas de reduzir ou parar o comportamento de arrancar o cabelo.
C. O ato de arrancar cabelo causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
D. O ato de arrancar cabelo ou a perda de cabelo não se deve a outra condição médica (p. ex., uma condição dermatológica).
E. O ato de arrancar cabelo não é mais bem explicado pelos sintomas de outro transtorno mental (p. ex., tentativas de melhorar um defeito ou imperfeição percebida na aparência).

Comorbidade

A tricotilomania é, com frequência, acompanhada por outros transtornos mentais, mais comumente o transtorno depressivo maior e o transtorno de escoriação (skin-picking). Outros sintomas repetitivos focados no corpo, além de arrancar o cabelo e beliscar a pele (p. ex., roer as unhas), ocorrem na maioria dos indivíduos com tricotilomania e podem merecer um diagnóstico adicional de outro transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno relacionado especificado (i.e., transtorno de comportamento repetitivo focado no corpo).

Causas
Não se sabe ao certo quais são as causas da tricotilomania, mas suspeita-se que questões genéticas e ambientais estejam envolvidas no aparecimento do quadro. Sabe-se também que pessoas com tricotilomania tem alterações naturais nas reações químicas do cérebro que envolvem a serotonina e a dopamina.

Fatores de risco
Os fatores de risco que aumentam a probabilidade de ter tricotilomania são:
• Histórico familiar
• Ter entre 11 e 13 anos
• Sentir emoções negativas
• Ter transtornos como depressão, ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo.
Os pais devem procurar por ajuda caso os seus filhos tenham impulsos de arrancar fios de cabelo para encontrar alívio para o stress ou ansiedade, ou se verifica que estão a ficar carecas em algumas regiões, como no couro cabeludo, sobrancelhas e pestanas.

Complicações
• Stress emocional, já que estas crianças/ adolescentes costumam sentir-se envergonhadas, embaraçadas e mesmo humilhadas por não conseguirem controlar este ato, por isso elas podem desenvolver baixa autoestima, depressão e ansiedade.
• Problemas sociais ou escolares, pois a perda de cabelo pode levar a pessoa a evitar certas situações.
• Problemas de pele e cabelo, já que puxar os fios constantemente pode causar desgastes e até mesmo infeções, além de afetar o crescimento do cabelo.
• Bolas de cabelo no sistema digestivo, causada pelo hábito que algumas dessas pessoas tem de comer o cabelo que arrancam. Nesses casos, após um certo período de tempo o acúmulo dos fios pode causar perda de peso, vômitos, obstrução intestinal ou mesmo a morte.

Tratamento de Tricotilomania
O tratamento deste transtorno deve ser realizado por uma equipe de técnicos especialistas, psicólogos e médicos. Alguns tipos de tratamento ajudam a pessoa com tricotilomania a parar de arrancar cabelos completamente. Entre as opções temos:

Psicoterapia
Uma das abordagens mais usadas para o tratamento psicoterapêutico da tricotilomania é o treinamento de devolução de hábitos, método da terapia cognitiva comportamental. Ele atua ensinando como reconhecer situações em que a criança/ adolescente provavelmente arrancaria fios de cabelo e como substituir esse hábito por outros. Grupos de apoio também são uma boa medida para que a pessoa com tricotilomania não se sinta sozinha com este problema.

Medicamentos
Alguns remédios também podem ser usados no tratamento da tricotilomania. Não existem medicamentos relacionados diretamente ao transtorno, mas antidepressivos (principalmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina) e medicamentos usados em transtornos de humor podem ajudar a reduzir os sintomas.

Os pais precisam ficar atentos ao aparecimento desta mania. O impulso pode ser passageiro e não causar muitos problemas, mas quando se percebe que este impulso não passa, os pais devem encaminhar o filho para apoio especializado – Psicólogo. Num primeiro momento, é importante que, no núcleo familiar, sejam evitadas as cobranças, as criticas e as piadas.

Obrigado pelo vosso interesse e espero ver-vos em breve na nossa clínica em Lisboa.

Dr. Sérgio Filipe Pereira – Psicólogo em Lisboa
Clínica de psicologia ITAD
Psicólogo, Terapeuta da Fala e Terapeuta Ocupacional
Psicóloga na Clínica do Itad em Lisboa
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