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AVC Infantil

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a primeira causa de morte em Portugal. No entanto, a sua ocorrência antes dos 18 anos de idade é considerada um evento extremamente raro, apesar do AVC infantil se encontrar entre as dez principais causas de morte na infância.

O que é um AVC?
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é um défice neurológico focal, não convulsivo e súbito, que afeta uma área específica do encéfalo, produzindo, desta forma, sintomas e sinais deficitários, causados pela perda de função da área afetada.
Existem dois tipos principais de AVC’s: o AVC Isquémico e o AVC Hemorrágico.
O AVC Isquémico ocorre como resultado de uma obstrução num vaso sanguíneo que fornece sangue ao cérebro. A condição subjacente a este tipo de obstrução é o desenvolvimento de depósitos de gordura que revestem as paredes dos vasos (aterosclerose). O AVC Isquémico é trombótico quando o processo patológico responsável pela oclusão do vaso se desenvolve no próprio local da oclusão e embólico quando se dá embolia cerebral (processo em que se verifica a oclusão arterial por corpos estranhos – êmbolos – em circulação, libertados na corrente sanguínea e que se deslocam até às artérias cerebrais).
No AVC Hemorrágico ocorre uma lesão do tecido cerebral provocada por hemorragia intracraniana. Existem dois subtipos de acidente vascular cerebral hemorrágico: a hemorragia intracerebral e a hemorragia subaracnóidea. As hemorragias intracerebrais ocorrem no interior do cérebro e as hemorragias subaracnoideas entre a camada interna (piamáter) e a camada intermédia (aracnoide) do tecido que envolve o cérebro (meninges).

AVC Infantil

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Etiologia e Fatores de Risco
Os fatores de risco para AVC infantil são múltiplos e diferem dos do AVC adulto (que inclui hipertensão, aterosclerose, tabagismo e obesidade), destacando-se os seguintes:
• Doenças cardíacas congénitas e adquiridas;
• Doenças hematológicas (anemia falciforme, hemofilias, distúrbios de coagulação, linfomas);
• Doenças infecciosas (complicações de otites, faringoamigdalites, meningites);
• Doenças arteriais (Moyamoya, vasculites peri e pós infecciosas);
• Vasculites do sistema nervoso central e doenças autoimunes;
• Desidratação,
• Cateterismos cirúrgicos;
• Fatores maternos (período pré e perinatal): corioamnionite, pré-eclâmpsia, rutura prematura de membranas.

Sintomas
Os sintomas do AVC em crianças são semelhantes aos que ocorrem nos adultos, sendo o mais comum a fraqueza súbita na face, braço e/ou perna, geralmente num lado do corpo (hemiplegia). No entanto, podem manifestar-se muitos outros sintomas:
• Diminuição de força/sensibilidade/debilidade/paralisia contralateral;
• Alteração do tónus muscular;
• Afasia, apraxia, disartria;
• Hemianopsia parcial ou completa;
• Alteração de consciência e confusão;
• Tonturas;
• Diplopia, vertigem, nistagmo;
• Ataxia;
• Perda de equilíbrio;
• Súbita dificuldade para caminhar;
• Perda parcial da visão ou da audição;
• Somatognosia (incapacidade em reconhecer partes do corpo);
• Incontinência urinária.

Intervenção
Apesar de a maior plasticidade cerebral dos menores favorecer o prognóstico de recuperação de um AVC, a reabilitação tem de ser “mais imaginativa”, porque nem sempre as crianças colaboram nos tratamentos como o fazem os adultos.
Quando ocorre um AVC, o atendimento médico deve ser o mais imediato possível para que haja maior probabilidade de sobrevivência e diminuição das consequências.

O processo de reabilitação do utente pode incluir vários profissionais de saúde, tais como o terapeuta ocupacional, o fisioterapeuta, o terapeuta da fala e o psicólogo, de acordo com as sequelas que advêm do AVC.
O processo de reabilitação tem como principal objetivo o utente alcançar a máxima autonomia e funcionalidade, reaprender e aprender capacidades, adaptar-se a situações que ficam instaladas com o AVC e encontrar suporte prático, emocional e social, de modo a que a criança seja o mais independente possível, e que esteja integrada no ambiente familiar e escolar. Para isso, é preciso envolver os pais e cuidadores para que aprendam e repliquem o que é feito durante os tratamentos.

Dra. Inês Gonçalves
Terapeuta Ocupacional do Itad
Clínica de psicologia e terapia da fala em Lisboa
Rua Professor Fernando da Fonseca N8A. 1600-618 Lisboa – Portugal
211 371 412 – 961 429 911