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Fenda Lábio-palatina

Em Portugal, todos os anos nascem 180 crianças com fenda lábio-palatina, sendo que em cada 700 recém-nascidos, uma criança apresenta este tipo de malformação.

O que é?
A fenda lábio-palatina é uma malformação congénita que é caraterizada por uma alteração ocorrida entre a quarta e a sétima semanas de vida intra-uterina, provocando uma fusão incompleta das estruturas da cavidade oral.

Quais são as causas?
Têm sido estudadas várias causas para o aparecimento de crianças com fendas labiopalatinas. Assim, umas das causas para esta patologia incide na hereditariedade, sendo que os casais que tenham um filho com fenda labiopalatina têm maiores probabilidades de ter outro filho que também apresente esta condição.
Além dos fatores hereditários, são também apontados outros comportamentos das mulheres durante o primeiro trimestre de gestação, que demonstram maior risco de uma criança nascer com fenda labiopalatina, tais como o uso de álcool, tabaco, obesidade, realização de raios x na região abdominal, gestão de medicamentos como corticóides e anticonvulsionantes.

Tipos
As fendas labio palatinas podem implicar apenas o lábio, sendo chamadas fendas labiais (ou lábio leporino) ou podem estender-se ao palato duro e mole, sendo nestes casos fendas palatinas.
A fenda palatina é caraterizada pela comunicação buco-nasal, em consequência da perfuração do palato (duro ou mole), sendo assim possível observar o septo nasal bem como as conchas inferiores. Isoladamente, as fendas do palato duro e mole representam entre 25% a 30% de todos os casos de fendas.
As fendas labiais ou lábio leporino implicam apenas uma falha ou ausência de tecido no lábio supeior.
De uma forma geral as fendas podem ser unilaterais (quando atingem apenas um lado do lábio) ou bilaterais (quando atingem os dois lados do lábio). Podem também ser classificadas como completas (no caso de abrangerem o lábio e o palato) ou incompletas (quando atingem somente o lábio ou o palato).
Independentemente do tipo de fenda, esta patologia pode variar desde formas mais ligeiras como a cicatriz labial e a úvula bífida (quando a úvula aparece partida em duas), até formas mais graves como as fissuras amplas e conjuntas do lábio e do palato.

Como se manifesta?
De uma forma geral, as fendas labiopalatinas manifestam-se pelas alterações na inteligibilidade da fala pelo fato de esta ser influenciada por fatores como a articulação de sons, ressonância, emissão de ar nasal, fonação, velocidade de fala, fluência e entoação que, por norma, se apresentam detorpados em casos de fendas labiopalatinas.
No caso das fendas palatinas, as manifestações apresentam um cariz mais grave, podendo resultar em alterações fisiológicas da tuba auditiva levando a anomalias do ouvido médio e dificuldades auditivas; hipernasalidade da fala da criança por incompetência velofaríngea e nos casos ainda mais graves podem surgir dificuldades na alimentação/amamentação por haver maior risco das crianças aspirarem o alimento, provocando infeções como as otites e pneumonias que só por si já trazem demasiadas complicações no desenvolvimento da fala e da linguagem. Dadas as dificuldades na alimentação, por vezes surgem anemias, sendo que o aleitamento materno será a alimentação indicada para combater a anemia e fortalecer a musculatura da face e da boca, contudo, quando esta alimentação não é suficiente, é necessário recorrer-se à alimentação por via artificial.

Avaliação
Com o avançar da tecnologia, as fendas labiais podem ser diagnosticadas, através de ultrasons, mesmo antes do parto. O que permite que, logo após o nascimento, seja realizada a cirurgia corretiva a partir da primeira semana de vida. Quanto à cirurgia do palato duro, deve ser realizada apenas aos doze meses de idade. Até esta altura, e para garantir uma boa alimentação, de forma a que a criança não regurdite o alimento pelo nariz, são desenvolvidas técnicas de amamentação. Por vezes são também utilizadas próteses palatinas de forma a potenciar a amamentação até ser realizada a cirurgia corretiva do palato.
Assim, a oclusão completa das fendas labiopalatinas é realizada por etadas, de forma a assegurar a integridade das estruturas ósseas e a funcionalidade da musculatura da oclusão, acompanhando o crescimento destas estruturas nas crianças e assim evitando a deficiência de respiração e a voz anasalada. Por norma, primeiro é realizada a oclusão do palato ósseo anterior, de forma a que este se torne mais alongado, e depois continue o tratamento.
Sem uma boa avaliação e intervenção adequada ao nível da cirurgia, as fendas labiopalatinas podem provocar sequelas graves, como a perda da audição, problemas de fala, défice nutricional, além da baixa-autisma e preconceito. Quanto mais precoce for a avaliação e intervenção, melhor e mais rápida será a recuperação, sendo que, só por si, o tratamento é demorado, tendo início desde o nascimento até à fase a adulta, passando por várias cirurgias corretivas e estéticas.
No âmbito da Terapia da Fala, é crucial ser realizada uma avaliação precoce e o mais completa possível. Assim, logo após o nascimento, a criança deve ser avaliada ao nível da amamentação/alimentação, respiração e sensibilidade intra-oral, sendo estas duas das funções vitais para o desenvolvimento do recém-nascido, e que no caso de crianças com esta patologia, se encontram severamente alteradas.
Com o desenvolvimento infantil, o Terapeuta da Fala deve também avaliar a função do esfínter velofaríngeo, o desenvolvimento da fala (articulação e ressonância) e o desenvolvimento da linguagem de forma a prevenir o aparecimento de maiores dificuldades.

Intervenção Terapêutica
No âmbito da Terapia da Fala, as Fendas lábio-palatinas acarretam inúmeras dificuldades/alterações, em várias áreas como a alimentação, fala (articulação), comunicação, voz, respiração, socialização, entre outras. Assim, o Terapeuta da Fala é responsável por avaliar, aconselhar e intervir em casos de fendas lábio-palatinas num trabalho conjunto com uma equipa multidisciplinar.
Especificamente, o Terapeuta da Fala é responsável por avaliar e intervir no desenvolvimento da linguagem, no desenvolvimento da fala, avaliar a função do esfinter velofaríngeo e caso haja insuficiência velofaríngea, intervir nesta área. Deve também avaliar a articulação dos sons da fala e intervir no âmbito dos pontos articulatórios, dissociação de sopros e discriminação acústica dos fonemas, sendo estas áreas visivelmente alteradas em crianças com fendas labiopalatinas quer por ausência de ponto articulatório ou até por incompetência na musculatura articulatória, como tal também é necessário intervir na motricidade orofacial, mobilidade e tónus muscular bem como na sensibilidade intra-oral e extra-oral.
A alimentação é talvez a maior dificuldade nas crianças com fendas labiopalatinas e como tal o Terapeuta da Fala deve fornecer estratégias de alimentação e de amamentação para auxiliar os pais nos momentos de alimentação que por vezes se tornam demasiado stressantes dadas as dificuldades das crianças.

Estratégias para pais
Procurar orientações técnicas e aconselhamento que possibilitem a total reabilitação da criança;
Manter a calma e a tranquilidade pois tanto os pais como a criança podem ter uma vida saudável e feliz apesar do primeiro impato poder traduzir-se em sentimento de culpa.

Durante os períodos de amamentação:
-Segurar o bebé em posição vertical para que o nariz e a boca fiquem mais altos que o peito e assim evitar a regurgitação nasal;
-Utilizar prótese palatina para preencher a fenda e auxiliar o período de alimentação, enquanto a fenda labial poderá ser preenchida com o próprio seio.

Dra. Sara Santos
Terapeuta da Fala
Clínica de psicologia e terapia da fala em Lisboa
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