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Surdez

No ano de 1823 foi criada a 1ª escola para surdos, o Instituto de Surdos-Mudos de Lisboa, seguindo uma metodologia com recurso à língua gestual semelhante à desenvolvida na Suécia.

Surdez

A surdez é a incapacidade, total ou parcial, de ouvir. Consoante a intensidade da perda auditiva esta pode ser classificada em  ligeira, moderada, severa ou profunda. Dependendo da sua localização pode ser descrita como surdez de condução (envolve estruturas do ouvido externo e/ ou médio), neurossensorial (distúrbio no ouvido interno), mista (podendo envolver o ouvido externo e/ou médio e o ouvido interno) e central (quando se deve a uma lesão do Sistema Nervoso Central).

A intensidade do som é medida em decibéis (db), correspondendo estes a uma décima parte do bel, a unidade principal de medida. Um ouvido saudável consegue identificar sons numa amplitude compreendida entre os 0 e os 120 db. À intensidade mínima de som detetada pelo ouvido chamamos limiar inferior de audição e à intensidade máxima limiar de dor, uma vez que já provoca desconforto. Estes limiares variam de pessoa para pessoa, contudo, se o limiar inferior for superior a 20db, considera-se que o indivíduo apresenta surdez, aumentando a severidade da perda auditiva à medida que é necessário aumentar a intensidade do som para que este seja percecionado. Desta forma, quando o limiar inferior se situa entre os 21 e os 40 db (intensidade da conversação) a surdez é ligeira; entre os 41 e os 70 db (som de um bebé a chorar; do aspirador) é moderada; entre os 71 e os 90 db (som do piano e do telefone) é severa; entre os 91 e os 111db (maioria dos transportes) é profunda. Há ainda quem indique um 5º grau de surdez, a cofose, quando apenas são ouvidos sons superiores a 120db (bombas a rebentar, sirenes, etc). (Nota – os valores destas classificações variam ligeiramente consoante o autor).

A surdez pode ser originada durante a gravidez e parto – surdez congénita, sendo provocada, por exemplo, por infecções da mãe durante a gravidez ou complicações no parto – ou depois destes – surdez adquirida, provocada por doenças, traumas físicos, idade, etc.
Dentro da surdez adquirida é importante saber se esta surgiu anterior ou posteriormente tanto à aquisição da linguagem como à aprendizagem da leitura e escrita.

É recomendado realizar-se um despiste auditivo quando existir historial familiar de surdez, a gravidez for de risco/ se verificarem doenças infeciosas durante a mesma, houver complicações durante o parto, forem frequentes as otites e sempre que existirem sinais de alerta.
São exemplos de sinais de alerta o sono profundo em ambientes ruidosos; a nítida reação às vibrações e ao tato e a ausência desta aos sons; a voz materna não acalmar a criança (ou não lhe provocar reação); a criança parar de palrar ou fazê-lo de forma diferente; verificar-se um atraso de linguagem; o uso de muitos gestos, do apontar e de expressões faciais exageradas em vez da fala; falar muito alto e ouvir televisão num volume elevado; a criança parecer sempre distraída quando a chamam ou falam com ela; a presença de frases agramaticais contendo sobretudo nomes e verbos quotidianos; problemas em perceber as pessoas e o ambiente envolvente; dificuldades escolares.

Se a surdez for detetada, dependendo das suas características e das especificidades individuais, do aconselhamento médico e da família, existem diversas ajudas técnicas que podem aumentar o ganho auditivo e a qualidade de vida dos indivíduos. São exemplos destas as próteses (existem vários tipos), os implantes cocleares e os amplificadores.

Além destas ajudas é importante ter em consideração algumas estratégias a usar: falar de frente para a criança, estando esta de costas para a janela (para que não seja encandeada pela luz); falar mais devagar e com a boca visível (permite a leitura labial); verificar qual o meio de comunicação preferencial da criança e incentivar o uso de um sistema adequado aos diversos interlocutores; usar a comunicação total (escrita, gestos, pistas contextuais, etc); adotar um vocabulário simples e concreto e frases curtas e diretas; fornecer o tópico de conversação e vocabulário relacionado; sinalizar quando se muda de tópico; realizar perguntas fechadas; ir resumindo o que se está a perceber e certificar-se que a criança também está a compreender; posicionar o “melhor ouvido” do lado da professora.

A escolha de um sistema de comunicação (a fala na língua oral, os gestos na língua gestual e a fala e os gestos no bilinguismo*) é, normalmente, uma decisão difícil. Uma vez que o tipo e o grau de surdez não identificam, por si só, as necessidades individuais do surdo, cabe aos pais, depois de devidamente informados, optarem. Para tal, devem ter em consideração informações clínicas, a sua cultura, as necessidades comunicativas e educativas da criança, o sistema familiar, compreenderem as opções de educação para surdos, contatarem com crianças surdas com diferentes sistemas comunicativos e conhecerem diversas associações (exs.: de surdos, de familías, de implantes cocleares, etc).

*Em Portugal, só em 2008, com o surgimento do decreto-lei 3/2008, foi regulamentada a educação especial, passando a criança surda a ter direito à educação bilingue.

Dra. Alexandra Mestrinho
Terapeuta da Fala do Itad
Clínica de psicologia e terapia da fala em Lisboa
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